21 de julho de 2010

Uma visita ensombrada pelo passado

A Dra. Berta Cabral veio à Graciosa “no âmbito das suas visitas institucionais às várias parcelas do arquipélago” e, como seria de esperar, teceu algumas críticas. Até aqui nada de novo.

Afirmou, sem mexer os pés, como por cá se diz quando as afirmações são dúbias, que a Graciosa era a ilha mais isolada do Grupo Central. Poderia muito bem aproveitar para confirmar que Santa Maria é a ilha mais isolada do Grupo Oriental e o Corvo também é a que mais padece desse desígnio no Grupo Ocidental. Já agora acrescente-se que no arquipélago da Madeira a Ilha do Porto Santo é também a mais isolada. Basta olhar um mapa para chegar a estas conclusões.

A verdade é que além do isolamento provocado pela sua situação geográfica, a Graciosa foi votada ao abandono, isso sim, durante os anos de governação social-democrata. Nessa altura, em que a Dra. Berta Cabral desempenhou cargos políticos relevantes, sofríamos de um isolamento atroz e, esse sim, redutor.
Eram tempos difíceis: não tínhamos transportes marítimos de passageiros, os transportes de mercadorias eram irregulares, os transportes aéreos eram mínimos (não existiam voos aos fins-de-semana), frequentemente tínhamos roturas de quase tudo (gasolina, gasóleo, gás doméstico, farinha, açúcar, produtos frescos), o leite era pago aos produtores com mais de 12 meses de atraso, a pesca era um sector de subsistência, as novelas eram censuradas, o telejornal da RTP-A (canal único e de propaganda política) sofria atrasos para possibilitar a chegada das imagens dos omnipresentes governantes (nem que fosse apenas a desfilar numa qualquer procissão), os apoios sociais e à habitação eram atribuídos sem critérios, etc..

Nesses tempos a Graciosa definhava. Não existiam quaisquer perspectivas de futuro na agricultura, na pesca e muito menos no turismo.

De certeza que a líder do PSD – Açores tem memória curta, caso contrário teria muito mais cuidado com o que debita.

Das duas, uma: ou há maledicência nas suas declarações públicas ou então quem a recebeu na Graciosa escondeu a realidade actual da nossa ilha. Só assim compreendemos o desacerto.

13 de julho de 2010

Também temos campeões

Durante os últimos fins-de-semana decorreram na Graciosa dois eventos importantes para esta ilha.
O primeiro foi o Open Internacional de Fotografia Subaquática, já na sua 3ª edição, que reuniu os melhores fotógrafos do país, da Espanha e também da Itália.
Neste último fim-de-semana foi a vez do Rali Ilha Graciosa. Muito embora na sua 2ª edição, é pela primeira vez reconhecido pela Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting.
Ambas as acções foram organizadas pela Agraprome – Associação Graciosense de Promoção de Eventos, colectividade sem fins lucrativos e que conta já no seu currículo com várias organizações.
É certo que as duas atingem objectivos diferentes:
 o Open faz parte de uma estratégia de promover o património subaquático e a biodiversidade, valorizando assim a nossa condição de Reserva da Biosfera. Eventos deste tipo terão repercussões mais a longo prazo, mas sem dúvida projectam a nossa ilha através de trabalhos jornalísticos de qualidade em revistas e jornais da especialidade;
 o Rali, por seu lado, tem um efeito mais imediato, com repercussões directas na economia da ilha. Não esquecer que a primeira edição terá trazido até esta ilha cerca de 1.200 pessoas, sobretudo da vizinha ilha Terceira, enquanto a segunda edição e segundo dados fornecidos pelos jornalistas que cobriram este evento, terão vindo até esta ilha “arrastados” por esta organização entre 1.500 a 2.000 pessoas.

Se o III Open Internacional foi elogiado por todos os participantes, quer pela qualidade dos fundos quer pela qualidade da organização, o Rali também terá sido um sucesso igualmente pela sua qualidade, referida por todos os participantes, incluindo o Vice-presidente da Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting.

Este ano e no que diz respeito ao Rali, os Graciosenses tiveram motivos de satisfação. Pela primeira vez um dupla da nossa ilha venceu um Rali e apenas dois anos após o inicio desta prática desportiva. O Cláudio Bettencourt e o Luís Silva souberam aproveitar o factor “casa” para vencerem a sua primeira prova, apesar de terem atingido no passado recente bons resultados que auguravam este resultado, mais dia, menos dia. Os Graciosenses vibraram com esta importante vitória.

As outras duplas participantes da Graciosa, José Gabriel Silva / Paulo Vasconcelos e Laudalino Furtado / João Silva, também foram vencedores, pelo menos no meu entender. Apesar da primeira ter desistido por avaria a segunda ter tido alguns problemas, ambos têm de ser reconhecidos pela coragem de se envolverem num desporto difícil. Também me senti orgulhoso pelas suas prestações.

O público Graciosense também foi um grande vencedor. Cumpriu as recomendações da segurança da prova e embelezou convenientemente as estradas por onde passaram as máquinas.

Na hora de falar em campeões não posso deixar de referir a Agraprome. No meio do frenesim da festa, por vezes há a tendência de esquecermos o essencial. Esta Associação durante todo o ano reúne amiúde com o objectivo de encontrar soluções para os inúmeros problemas que vão surgindo. Procuram garantir participantes, fazem planos de segurança, ao mesmo tempo que procuram desesperadamente por financiamento. Todos os dias do ano lidam com problemas e procuram soluções, sem qualquer interesse pessoal.

Quando se faz a festa e mesmo enquanto se limpam os seus resquícios, são muitas vezes esquecidos e relegados para segundo plano ou para plano nenhum. Para mim serão sempre campeões…